"Não peguei nem cartão do bolsa-família", diz mulher que perdeu tudo em incêndio.



Maria Conceição Souza, 40, morava havia cinco anos na casa, feita de madeira, e não conseguiu levar nada durante o incêndio.

Alguns dos moradores da favela de Paraisópolis, uma das maiores do Brasil, que tiveram os barracos atingidos por um incêndio na tarde desta quarta-feira (1º) deixaram suas moradias "com a roupa do corpo" e não conseguiram salvar nada - ou quase nada - do que havia dentro das casas.

Segundo informação divulgada pela Defesa Civil nesta noite, cerca de 400 barracos foram atingidos pelas labaredas na região do Grotão, ponto de alta vulnerabilidade da comunidade. O último relatório do Corpo de Bombeiros falava em 50 casas. O fogo só foi controlado por volta das 17h.

Maria Conceição Souza, 40, não conseguiu salvar nada do seu barraco. "Eu não queria morrer queimada. Foi tudo embora", contou. A mulher vivia na moradia feita de madeira havia cinco anos, com os dois filhos. Móveis e eletrodomésticos foram queimados e nem o cartão do bolsa família ela conseguiu salvar. "Eu só saí com a roupa do corpo. Não peguei nem o cartão do bolsa-família. Será que eu vou conseguir fazer outro? Não tenho mais nada", lamentou.

O almoço da família de Tamires ficou jogado no chão após o incêndio


Quando o incêndio começou, Tamires Cavalcanti, 23, estava preparando o almoço. Só deu tempo de ela pegar a filha de dois anos e sair correndo do barraco onde morava havia dois anos com a família.

Depois que os bombeiros conseguiram controlar o incêndio, dava para ver a comida que seria o almoço da família de Tamires espalhada pelo chão do barraco. As portas de madeira e o teto de telhas ficaram completamente queimados.

Gustavo Santos, 25, conseguiu salvar um colchão


No meio do incêndio, Gustavo Santos, 25, conseguiu tirar de sua casa apenas um colchão.

Muitos moradores que não tiveram seus barracos atingidos pelo fogo saíram de suas casas para tentar apagar as chamas que destruíam a moradia dos vizinhos, antes mesmo de os bombeiros chegarem. E continuaram o trabalho, auxiliando os bombeiros. A diarista Cátia Silva de Souza, 38, foi uma dessas pessoas. Ela estava em casa quando o incêndio começou. "Ajudei com os baldes d'água. Os bombeiros demoraram muito a chegar", contou.

Busca por ajuda

Vários moradores que perderam as casas após o incêndio no Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, estão buscando ajuda no Sasf (Serviço de Assistência Social à Família) na noite desta quarta-feira, dentro da favela.

De acordo com a PM (Polícia Militar), mil pessoas estão na fila para ter atendimento. No local, os moradores fazem o registro na Defesa Civil da perda da casa. 

"Eu não sei o que eles vão fazer por nós. Mas eu peguei o papel", diz Bárbara Cristina de Souza, 23. Ela estava na fila desde as 17h. Bárbara acredita que conseguiu ser atendida porque carregava o filho de três meses no colo.

A Guarda Municipal começou a organizar a fila por volta das 19h30. Não há previsão de horário para que todos sejam atendidos. Famílias inteiras aguardam atendimento na esperança de ter ajuda para ter uma nova casa.

Em outro ponto da comunidade, moradores estão procurando o Cras (Centro de Referência de Assistência Social). Lá, cada família recebe um kit com água, um colchão e uma cesta básica. Ao todo, o Cras espera distribuir 450 kits ainda hoje.


Sobre o autor
Adenilton Cerqueira é fundador e diretor editorial da Black Brasil, conhecido entre os amigos como Théo, baiano,  feirense de nascença e soteropolitano de coração, é radialista, e blogueiro nas horas vagas. continue lendo aqui  

 
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