Projeto investe em crianças de comunidades carentes interessadas em dança.

Desde 2005, o projeto comunitário Educar Dançando segue com a inserção da arte na vida de jovens de Samambaia, Estrutural, Varjão e outras cidades no Entorno.


Crianças aprendem ritmos da dança desde aos 8 anos de idade


Sapatilha no pé e um desejo no coração. É dessa forma que a dança chega na vida de diversas crianças de comunidades carentes do Distrito Federal como instrumento de motivação capaz de transformar a história desses pequenos. Por meio de projetos como Educar Dançando e Adote uma Bailarina, jovens ampliam suas visões do futuro.

Desde 2005, o projeto comunitário Educar Dançando, coordenado pela professora de dança aposentada Maria Mazzarello, ao lado de profissionais do curso de licenciatura em dança do Instituto Federal de Brasília (IFB) Cínthia Nepomuceno e Edna Azevedo, segue com a inserção da arte na vida de jovens de Samambaia, Estrutural, Varjão e outras cidades no Entorno. “É surpreendente ver a melhoria no comportamento e na vida dessas crianças. É uma mudança geral, pois a dança mexe com todos os sentidos e trabalha com o desenvolvimento integral do ser humano”, diz Mazzarello.

Há três anos, Juliana Estrela, moradora da Estrutural e mãe de uma das alunas do grupo, ficou sensibilizada com o projeto e, desde então, tornou-se voluntária, assumindo o papel de monitora das crianças na região. Além de acompanhar os pequenos semanalmente até o IFB, na 612 Norte, onde são oferecidas as aulas, a mãe também sai à procura de mais crianças que estejam dentro da filosofia do projeto, que abrange famílias que têm filhos com idade entre 8 e 11 anos em situação de risco e baixa renda. “As mães depositam total confiança em mim. Nos dias de aula, todos na rua ficam me olhando passar com todas aquelas crianças enfileiradas até o ônibus”, comenta Juliana.

As aulas ministradas de maneira teórica e prática apresentam para as crianças ritmos que vão além dos movimentos clássicos do balé. A professora Cínthia Nepomuceno, que ensina dentro do programa a pluralidade dos movimentos urbanos, explica que a intenção é expandir o conceito da dança para os alunos, incluindo na grade horária, o segmento contemporâneo e os fundamentos das danças populares, como o coco, samba e frevo. “É uma sensação única ter a oportunidade de ensinar a dança para esse grupo. A ação agrega uma série de valores na vida deles que refletem positivamente no dia a dia”, conta.

Glauber Silva, de 19 anos, fez parte do projeto e está no último ano do curso de dança em uma das escolas mais renomadas de Berlim, a Staatliche Ballettschule. Ele, que viveu em Samambaia Sul com seu pai, conheceu o projeto Educar Dançando aos 8 anos e foi por meio da ação que teve a oportunidade de transformar o sonho em realidade.

Dedicação

O bailarino conta que desde o inicio foi incentivado pelas professoras voluntárias, e, mesmo com os preconceitos vindos de dentro e fora de casa, não desistiu do talento que brotava a cada dia. “O projeto deu um impulso na minha vida, e foi a dedicação das professoras que me motivou. Sou muito grato pelo projeto ter me colocado no caminho certo e hoje poder vivenciar essa oportunidade”, diz.

Outro projeto social que vem ajudando crianças em situação de risco desde 2013, na Vila Cauhy, no Núcleo Bandeirante, é o Adote uma Bailarina coordenado pelas professoras de dança Arine Alby e Maura Lúcia. As aulas de balé clássico, oferecidas em uma sala improvisada da escola Caic Juscelino Kubitschek, buscam introduzir a dança na rotina das meninas filhas de mães vítimas de violência doméstica. O projeto que é vinculado ao centro de ensino, ao Conselho de Saúde do Núcleo Bandeirante e ao Conselho Tutelar, enfrenta dificuldades financeiras para se manter. “Nós estamos aguardando a publicação do edital que concorremos para incrementar as atividades e expandir a ação para as demais comunidades do DF”, conta Arine.


Projeto Educar Dançando
Adote uma bailarina
Contatos: 9374 9755. 9994 4504


Fonte: Correio Brasiliense 

 
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