Refugiadas e Mães: 5 histórias que vão te emocionar

Você provavelmente já sabe, mas não custa repetir: o mundo vive hoje uma das piores crises de refugiados de sua história.

Por Gabriela Bazzo Do Brasil Post

Mais afetadas pela situação de vulnerabilidade em que se encontram, as mulheres mais sujeitas à violência do que os homens. Elas correm o risco serem violentadas e estupradas tanto nos conflitos em seus locais de origem quanto no trajeto até os países que irão – ou não – acolhê-las.

Além disso, muitas vezes essas mulheres viajam junto com os filhos e sem seus companheiros, o que torna a jornada mais difícil e perigosa.

Em homenagem ao Dia das Mães, escolhemos algumas histórias emocionantesde mulheres refugiadas e de seus filhos (biológicos ou do coração).

Odile

“Eu sou do Congo, de Brazzaville. Tenho seis filhos e costumava trabalhar vendendo frutas e verduras no mercado”, conta Odile à ACNUR, Agência para Refugiados da ONU.

Ela, que estava sozinha quando deu à luz o primeiro filho, resolveu que não queria que outras mulheres passassem pela mesma situação. “Isso me deu coragem para ajudar outras mulheres a terem seus filhos em situações que não são as ideais.”

Em 1999, Odile deixou o Congo e foi para o Gabão. Antes de chegarem ao país, ela e seus seis filhos vagaram durante um ano pelas selvas da África Central. “Cheguei a me ajoelhar na frente dos soldados e pedir para que eles me levassem e poupassem meus filhos”, contou ela ao Huffington Post.

No caminho, ela fez partos de mulheres que também fugiam do conflito. “Essas situações me ensinaram a ser corajosa, e nada me amedronta agora”, contou ela à ONU.

Dez anos depois ela se mudou para Austin, no Texas. Nos EUA, ela conta que lutou muito para sobreviver como mãe solteira e com poucas oportunidades de emprego. Atualmente, ela trabalha na Open Arms (Braços Abertos, em tradução livre), uma empresa social do ramo têxtil.

“Eu sou a mãe de seis filhos, mas também a mãe do Braços Abertos. Eu cuido de todos e espero que a organização cresça para apoiar muito mais mulheres.”

Matialy

Matialy tem 22 anos e é mãe solteira de duas meninas. Para sustentar as duas, ela mantém um pequeno salão, feito de “paus e plástico”, em um campo de refugiados na Libéria.

“Eu quero seguir com a minha carreira. É o que eu gosto de fazer e o que me mantém ocupada todos os dias. Além disso, posso ensinar outras meninas”, conta ela, queensina seu ofício de graça a outras garotas que vivem no campo de refugiados.

“Eu me sinto feliz em ajudar essas meninas a aprender e a terem novas oportunidades.”

Em setembro de 2010, ela fugiu da Costa do Marfim. Após a eleição presidencial do país, uma onda de violência e de violação dos direitos humanos assolou o local.

Assim como Matialy e suas irmãs, 53 mil pessoas fugiram para a Libéria. Durante a onda de violência, os pais da jovem e seus dois irmãos mais velhos desapareceram.



Mulher não identificada

A mulher que aparece na foto abaixo não foi identificada. Ela contou sua história para a ONU:

“Enquanto eu fugia, eu peguei esse menino chorando ao lado de sua mãe, que estava morta”.

Em 2015, o grupo extremista Boko Haram promoveu um de seus ataques mais mortíferos em Baga, no nordeste da Nigéria. Centenas de pessoas foram mortas e milhares de casas foram queimadas.

“Às 6 horas nós ouvimos o som de armas. Quando eles chegaram até nós, uma hora mais tarde, nós começamos a correr. Eles mataram muita gente. Eu vi o menino e o levei junto comigo e com os meus filhos para a pequena canoa do meu marido, no Lago Chade. Nós ficamos em uma pequena ilha por três dias, sem nada para comer. A fome nos forçou a sair. Eu conheço a família desta criança. Eu sei quem é seu pai, mas não sei onde ele está, nem o que aconteceu”.




Ghila

Ghila vive em Smara, um campo de refugiados na Argélia há 40 anos. Em 1975, aos 28 anos, ela fugiu do conflito que assolava o Saara Ocidental junto com sua família.Foram três meses caminhando ao lado de um grupo de pessoas e se alimentando de gofia, uma mistura de soja, milho, cevada, açúcar e água, para sobreviver. Quatro dos seus filhos morreram no caminho.

Embora nunca tenha frequentado a escola, ela incentivou seus filhos sobreviventes a completarem os estudos. “Três deles estudaram na Líbia, um em Cuba e o mais novo na Argélia. Quando eles saíram de casa para estudar, eu senti muita saudade, mas tenho muito orgulho deles”, conta ela, que dedica seu tempo aos netos: “Ficar com eles é a maior alegria da minha vida”.

Mesmo sem uma educação formal, Ghila trabalha como curandeira no campo de refugiados e ensina seu ofício a uma das netas. “Meu pai me ensinou um pouco de medicina tradicional, inclusive o uso de ervas medicinais.”

Eman




Em outubro de 2014, Eman Shakra fugiu da Síria junto com seu marido e dois filhos. A família, que atravessou a Turquia para a Itália em um barco, foi resgatada pela Guarda Costeira Italiana, após 11 dias à deriva. Um mês depois, eles chegaram à Suécia, onde solicitaram asilo.

“Eu sinto falta da Síria todos os dias”, conta Eman à ONU, quando descreveu sua casa no país natal como “cheia de amor”.

Agora, em sua nova casa, que ainda tem poucos móveis, ela deseja que seus filhos cheguem à universidade e encontrem um bom emprego na Suécia.

Seu sonho é voltar a estudar e trabalhar ajudando pessoas com problemas psicológicos. “Eu sou uma mulher forte, e eu acredito que essa força e o amor que estão dentro de mim me tornam perfeita para esse ofício”, conclui.




Sobre o autor
Adenilton Cerqueira é fundador e diretor editorial da Black Brasil, conhecido entre os amigos como Théo, baiano,  feirense de nascença e soteropolitano de coração, é radialista, e blogueiro nas horas vagas. veja mais  

 
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