Racismo: Aqui não é senzala! Tire os pretos da Unicamp já!




Em menos de um mês, instituto da Unicamp tem nova pichação racista
Frase em um dos banheiros diz 'aqui não é senzala, tirem os pretos da Unicamp já!'.

Em menos de um mês, uma nova pichação com dizeres racistas em um banheiro do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, em Campinas (SP), têm gerado polêmica entre os alunos da instituição. No começo de março, os estudantes já haviam se deparado nas paredes do mesmo centro com a mensagem "White Power" (força branca), acompanhada de um símbolo com referência à seita Ku Klux Klan (KKK).

O estudante de ciências sociais Otávio Catelano, que ficou indignado ao encontrar a nova pichação, postou nas redes sociais a foto que tirou da mensagem que diz "Aqui não é senzala! Tirem os pretos da Unicamp já!".

"Essa é só mais uma das pichações racistas que vem aparecendo no IFCH. Símbolos da Klu Klux Klan [seita que prega a supremacia branca e violência contra negros e imigrantes] já foram pichados duas vezes neste semestre, com ameaças de morte aos negros. É inaceitável que casos como esses continuem a acontecer e nenhuma atitude concreta seja tomada por parte da Unicamp", critica.
Repúdio

O Núcleo de Consciência Negra da universidade informou que vai emitir uma nota de repúdio aos atos. Mas, antecipou  que vai denunciar a situação para a comunidade acadêmica e sociedade civil.

Segundo Bruno Ribeiro, membro do núcleo e estudante do IFCH, as pichações racistas aumentaram desde final do último ano, o que mostra que não está acontecendo nenhuma resposta efetiva por parte da diretoria do instituto e da reitoria da Unicamp.

"Enquanto isso, nós estudantes negros e negras somos obrigados a encarar mensagens de ódio contra nós, mais do que isso a conviver com a complacência alheia. Alguns colegas denunciaram as pichações pelo grupo do Facebook do instituto. Apareceu mais uma pichação com os dizeres 'pobres, pretos periféricos são os nossos alvos' com um simbolo nazista abaixo", afirma Ribeiro.

O estudante contou também que após feitas as denúncias, o núcleo construiu um mural com símbolos do movimento negro, intelectuais, vítimas e artistas que estiveram na linha de frente da luta antirracista.

"Daí aparecem mais pichações deixando mais explícito que estamos incomodando e que a universidade não deve ser nosso lugar. Sinceramente, se esperássemos uma resposta da reitoria ou do IFCH as pichações ficariam lá para sempre. Talvez, porque eles não eram os alvos", diz Ribeiro.

Entenda o caso:
Uma pichação racista com o símbolo da Ku Klux Klan no IFCH surpreendeu alguns estudantes da Unicamp no dia 8 de março. Na ocasião, a aluna Camila Cassis viu a mensagem em uma parede em frente ao banheiro feminino e postou nas redes sociais.


"Eu vi de manhã, saindo do banheiro feminino, fica bem na frente. Não vi ninguém escrevendo não. Só levei um susto porque aquilo com certeza não estava lá antes", conta.

O caso gerou repercussão e fomentou a discussão sobre cotas raciais e representatividade negra na universidade. O Núcleo de Consciência Negra também divulgou uma nota de repúdio ao acontecimento e fez um ato contra o racismo.

A Unicamp admitiu o problema e disse que se reuniu com representantes do núcleo uma semana depois do primeiro caso. O grupo cobrou ações efetivas da universidade para acabar com as ocorrências, como a abordagem da cultura afro-brasileira nos cursos de licenciatura da instituição.








 
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