O orgulho negro de Virgínia Rodrigues




Por: Sueli dos Santos / Raça Brasil 

Prova de que nem sempre basta ter talento para ser reconhecido no Brasil é que uma das mais belas vozes do país ficou fora de cena por 8 anos por falta de gravadora. A cantora Virgínia está de volta. Em 2015, ela gravou o CD “Mama Kalunga”, um disco produzido por Tiganá Santana e Sebastian Notini em que interpreta algumas músicas africanas. A voz de Virgínia está linda e parece soar mais bonita ao reverenciar sua ancestralidade negra. Ela não se intimida e e apresenta um repertório com composições de criadores negros de distintas gerações e lugares, como Dorival Caymmi, Moacir Santos e Paulinho da Viola. Pela primeira vez, ela canta em línguas africanas como Kikongo e Kimbundo, em canções concebidas pelo compositor baiano Tiganá Santana.


Com sua voz lírica lapidada em igrejas de Salvador até ser descoberta no Bando de Teatro Olodum, Virgínia já foi aclamada mundialmente por seu talento. Acompanhe a entrevista que ela concedeu com exclusividade.



De onde veio a ideia de fazer esse disco? 

Virgínia Rodrigues: A concepção do disco foi montada por mim e Tiganá Santana, diretor artístico deste trabalho.


O fato de você cantar línguas africanas nesse trabalho é uma busca pelas raízes?

Virgínia Rodrigues: Não porque nunca estive longe das minhas raízes, sempre soubede onde  vim, gosto demais de falar do meu povo e de cantar sobre eles e quando descobri   a língua  dos meus ancestrais e que eu podia cantar, fiquei maravilhada. Foi meu amigoTiganá que me deu essepresente.


Como foi a participação de Ruth de Souza no CD?

Virgínia Rodrigues: Foi muito boa, ela foi bastante carinhosa e pra mim é uma honra tê-la no meu trabalho. A ideia foi do Tiganá e nem acreditei que ela iria aceitar o convite.


Você acha que o negro brasileiro é carente em conhecer suas raízes?

Virgínia Rodrigues:Com certeza, por isso quis cantar em línguas africanas.


Você acompanhou os casos de racismo envolvendo algumas atrizes (Taís Araújo, Cris Viana e Sharon Menezes). O que você acha? O Brasil é um país racista?

Virgínia Rodrigues: Acompanhei muito superficialmente. O Brasil é um país racista, pois sinto isso na pele todos os dias.


O que esperar desse novo show? Ele será feito no Exterior?

Virgínia Rodrigues:Espero fazê - lo no Brasil inteiro. Sim, estou indo para alguns países da Europa e na África, em Marrocos. O disco já está sendo distribuído também no Japão.


Você está na lista das melhores cantoras brasileiras, mas com maior reconhecimento internacional por conta do seu estilo. Essa foi sua intenção desde o início da sua carreira?

Virgínia Rodrigues: Não foi minha intenção ser reconhecida mais lá fora que no Brasil. A questão está no fato de eu ter sido recebida melhor lá fora. E aqui no Brasil, as rádios também não tocam, mas eu sou uma cantora de música popular brasileira.


Escute o novo trabalho de Virgínia Rodrigues, Mama Kalunga: Youtube



 
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