Chico Diáz: "Não adianta tirar na mão grande. Isso é roubo, é golpe!"



No ar com a novela “Velho Chico”, o ator Chico Díaz vive Belmiro dos Anjos. Sertanejo, nascido e criado no meio da caatinga, o personagem marca a 23ª novela em que o ator trabalha. Aos 56 anos de idade e 40 de uma premiada carreira, Chico Díaz coleciona ainda no currículo 64 filmes e mais de 18 peças no teatro. Em entrevista o ator veterano nas telas afirma que a cobertura dada pela grande mídia sobre os últimos acontecimentos políticos do país é sensacionalista e tendenciosa.

Qual a sua opinião sobre o processo de impeachment aberto contra a presidente Dilma? 

Chico Díaz - Acho uma vergonha, uma aventura irresponsável de um grupo, também irresponsável, para colocar a nossa ainda tão frágil democracia em risco dessa maneira. Se depender da grande maioria, não vai passar e, se passar, haverá um grande problema que é a desestabilização do Estado Democrático de Direito. 

Qual a sua avaliação sobre as investigações da Operação Lava Jato? 

Acredito que partem de uma ideia necessária, que seriam investigações profundas sobre uma estrutura histórica do fazer político neste país. As relações mais que promíscuas entre poder público e empreiteiras e outros agentes corruptores, que são relações históricas, diga-se de passagem. Mas que pouco a pouco revelaram a intenção, através dos seguidos e constantes vazamentos, de derrubar esse governo que foi democraticamente eleito. Essa intenção se mostrou então tendenciosa e partidária, obscura e duvidosa. Aí o cartaz (que rodou as redes sociais associado ao nome de Chico Díaz e da sua esposa, Sílvia Buarque), não idealizado por nós, se atualiza: “Ô Moro, por que só o PT?”

O que acha da quebra de sigilo e divulgação das gravações de Lula e Dilma promovidas pelo juiz Sérgio Moro? 

Uma vergonha! Uma falta! Um chute em quaisquer salvaguardas legais. Uma desconsideração desesperada com a Constituição. Como é que um juiz diz que não é relevante a ilegalidade demonstrada ao divulgar as gravações? Um juiz?
Como avalia a cobertura midiática dos últimos acontecimentos?
Sensacionalistas, espetacularizantes e tendenciosas. 

Que caminho podemos seguir para reverter a atual crise política no Brasil? 

Reforma política. Estabilidade e diálogo. Fim do financiamento de campanhas por empresas. Consciência política. O lado bom dessa crise, a meu ver, é o interesse pela discussão política despertado na sociedade, a quantidade de análises de conjuntura lidos diariamente impressiona. Que Dilma termine seu mandato como tem que ser e que, se a oposição quiser mudar o rumo da política, que apresente um projeto válido e consistente para conhecimento e respeito da sociedade civil. Não adianta tirar na mão grande. Mão grande é roubo, é golpe. Também não podemos ser inocentes de achar que é uma conjuntura apenas nacional. O enredo é complexo, profundo, o Brasil é imenso, é rico. Alguns atores dessa quase tragédia falam outras línguas, sabemos todos.

 
Black -Brasil © 2006 - Adenilton Cerqueira