Cansada de ler sobre garotos, menina reúne 4.000 livros com garotas negras




Cansada de ler livros na escola sobre "garotos
brancos e seus cachorros", Marley Dias, 11, resolveu
começar um desafio ousado: reunir mil livros cujas
personagens principais fossem meninas negras.
Com ajuda de sua mãe, Janice, a garota, que vive em
New Jersey, nos Estados Unidos, começou a
campanha na internet em novembro do ano passado
com a hashtag #1000blackgirlbooks (1.000 livros de
garotas negras).

"Eu estava na quinta série e fiquei frustrada porque só líamos livros sobre
garotos brancos e seus cachorros. Daí, eu falei com a minha mãe e ela me
disse: 'ok, mas o que você vai fazer sobre isso?' E eu decidi que ia colecionar
mil livros", contou ela em entrevista.
"Não me entenda mal, eu gostava daquelas histórias, eu só queria algo que eu
pudesse me relacionar com", explicou.

Para Marley, se ver em um personagem é muito importante, porque ajuda a
entender e a lembrar melhor da mensagem dos livros.
No começo, conta Janice, foi difícil. Elas receberam algumas doações, mas em
janeiro, depois de aparecerem em um jornal, os livros começaram a chegar –e
muitos, muitos deles.

Até agora, o projeto já reuniu mais de 4.000 livros (em um índice on­line,
você pode dar uma olhada em 700 deles: ), muitos dos quais Marley e a
organização social de sua mãe, a Grass Roots Foundation –que acabou
participando ativamente da campanha e da organização dos livros–, doaram
para a antiga escola da garota, além de outros colégios nos Estados Unidos e
na Jamaica, onde Janice nasceu.

"Eu fiquei orgulhosa de mim por ter conseguido atingir o objetivo e depois
ultrapassa­lo", contou Marley. "E mil era um número grande para mim,
porque eu só tenho 11 anos", brinca.

Ela e sua mãe esperam continuar recebendo doações. "Acho que nós não
tínhamos noção do dilema internacional que é essa questão da falta de
diversidade e a Marley teve a chance de dar voz a um desafio que muitas
pessoas preferem não falar", disse Janice.




Entre os favoritos de sua grande coleção, Marley destaca o livro Brown Girl
Dreaming (não há traduções em português), que conta, em poemas, a história
de uma garota afro­americana criada no sul dos Estados Unidos durante os
anos 1960 e 1970, em um contexto de segregação racial.

"Eu gostei, porque foi um desafio ler esse livro, já que era poesia", conta ela.
"Foi bom para eu desenvolver minhas habilidades de leitura e foi muito
divertido. Poesia é mais misterioso, porque os autores não tentam te contar o
significado direto, você pode ir lendo e fazer o seu caminho."

Agora, Marley já tem planos de formar um clube de leitura de livros sobre
garotas negras. A ideia, explica ela, é que os participantes leiam o volume
escolhido durante o verão e depois discutam por Skype ou na internet.
"São livros sobre garotas negras, mas, na verdade, os livros são para todas as
pessoas que quiserem ler e você pode aprender muito neles sobre racismo e
cultura", diz ela.



 
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