Mortos na Nigéria em apenas cinco dias podem chegar a 2 mil


A Anistia Internacional expressou preocupação com o aumento de mortes na região nordeste da Nigéria, resultado dos conflitos intensos entre as Forças Armadas do país e os milicianos do grupo islâmico Boko Haram, que também realizam ataques à população civil. Segundo a entidade defensora dos direitos humanos, há informações de que o número de vítimas na região nos últimos cinco dias chegue a 2 mil.



A cidade de Baga, cujo controle foi retomado pelos extremistas no fim da semana e onde eles já haviam tomado uma base militar, há diversos registros de saques, destruição de aldeias e execuções, inclusive de mulheres e crianças. A situação é descrita pela Anistia como “massacre mortal”. “Isso marca uma escalada preocupante e sangrenta de ataque contínuo da Boko Haram", declarou Daniel Eyre, pesquisador da organização ao jornal britânico The Guardian. A aldeia e no mínimo 16 assentamentos em volta do Lago Chade estão totalmente devastados, e no mínimo 20 mil pessoas já tiveram que deixar suas casas.

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Os conflitos em Baga se intensificaram a partir de sexta-feira. “As forças de segurança têm respondido rapidamente e utilizado recursos significativos, além de realizar ataques aéreos contra os militantes”, informou, em um comunicado, o porta-voz do governo nigeriano, Mike Omeri. O confronto entre as forças de segurança e o jihadistas no país já dura cinco anos. O dia mais sangrento foi 14 de março de 2014, quando um ataque militar na cidade de Maiduguri Giwa resultou em mais de 600 morto. Os Estados Unidos declararam em um comunicado divulgado na sexta-feira pelo Departamento de Estado, que os responsáveis pelos atos terroristas na região devem ser responsabilizados.

Crianças-bomba

Ontem, uma menina aparentando cerca de 10 foi usada em uma atentado à bomba a um mercado movimentado na cidade de Maiduguri. Pelo menos 20 pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridas. “Os explosivos foram amarrados ao redor do corpo dela, que não parecia ter mais de 10 anos”, disse uma fonte dentro da polícia.

Embora nenhum grupo tenha reivindicado o atentado, a ação tem a marca do Boko Haram, que costuma usar mulheres e meninas para realizar seus atentados. Ashiru Mustafa, membro de um grupo local de autodefesa, explicou a bomba explodiu enquanto alguém revistava a menina na entrada do mercado. Segundo ele, não foi um ato deliberado da criança. “A menina tinha uns 10 anos e duvido seriamente que soubesse o que tinha colado ao corpo”, disse à agência France Presse. Em outro ataque, horas depois, na cidade de Potiskum, pelo menos duas pessoas morreram na explosão de um carro-bomba em frente a uma delegacia.

O Boko Haram realizou seu primeiro atentado suicida com uma mulher em junho de 2014, no estado de Gome (norte). Em julho, uma menina de 10 anos foi descoberta no estado de Katsina com um colete repleto de explosivos, o que leva a crer que o Boko Haram obrigava as crianças a praticar ataques desse tipo. Atualmente na Nigéria, país mais populoso da África e maior produtor de energia do continente, três unidades federativas, todas no nordeste, estão em estado de emergência devido á guerra com o Boko Haram.


 
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