'Índio morto não luta mais', diz delegado da PF a grupo guarani do Mato Grosso do Sul

Intimidação foi registrada em vídeo durante tentativa de desocupação na última quarta-feira; Cimi pede medidas contra policial




O Conselho Indigenista Missionário repudiou em carta as intimidações do delegado da Superintendência da Polícia Federal do Mato Grosso do Sul, Alcídio de Souza Araújo, contra a comunidade guarani Ñandeva do território Yvy Katu, durante uma tentativa de desocupação na quarta-feira (6). Os indígenas gravaram um vídeo e postaram nas redes sociais.
Na conversa com os indígenas, Araújo declarou que, se fosse preciso, chamaria a Força Nacional para retirar os indígenas e observou que “índios mortos não lutam mais, o sonho acabou”.

Conforme o denunciado pelas lideranças da comunidade, Araújo declarou: “Se vocês estiverem em 4 mil aqui, eu posso juntar 10 mil policiais, Força Nacional, militares do Exército para cumprir a ordem judicial."

“Vocês, índios, vivos podem até cobrar um milhão de reais pela morte de índio do governo, mas quem morreu já morreu", disse. Depois concluiu: "Não sei na crença de vocês, mas na minha crença só um homem ressuscitou, que é Jesus Cristo."
O líder indígena Tonico Benites afirmou que a forma de abordagem do delegado constrangeu a comunidade. “Foi muito constrangedor a forma que se comportou, disse que ia juntar milhares de policiais para expulsar. Quando dissemos que não íamos sair ele disse que não gostava de falar de morte, mas disse que índio morto não luta mais, em um tom de ameaça”, disse.

Audio é da  Rádio Brasil Atual

As lideranças indígenas afirmam que o delegado foi um dos responsáveis pela operação que terminou com a morte de Oziel Terena, e com a apreensão de equipamentos de indígenas e jornalistas, em maio deste ano.
O Cimi salientou que o pedido de afastamento do delegado da Polícia Federal já havia sido feito por lideranças indígenas à época, e que caso haja qualquer tipo de violência contra a comunidade de Yvy Katu,os responsáveis serão o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e a presidenta Dilma Rousseff.

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