Bahia: Fomento ao empreendedorismo de negros e mulheres é foco de encontro na Sepromi



Ações para fortalecer o empreendedorismo negro e de mulheres na Bahia foram discutidas em encontro na Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), nesta quarta-feira (16), com a participação de representantes da pasta, da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) e do Instituto Adolpho Bauer. Na ocasião, foi apresentado o projeto Brasil Afroempreendedor, por meio do qual estão sendo capacitados, inicialmente, cerca de 50 baianos. Eles também participaram de um diálogo sobre plano de negócios na sede do Olodum, no Centro Histórico de Salvador.

Segundo o coordenador do projeto, Adilton de Paula, o país conta, hoje, com aproximadamente 11 milhões de afroempreendedores, sendo que 92% trabalham por conta própria – geralmente sem capacitação, acesso a financiamento e tecnologia ou estrutura adequada – e 8% são empregadores, realidade que é praticamente inversa ao se tratar de empreendedores brancos. Ele destacou, na reunião, o pioneirismo baiano ao criar uma política específica para o segmento por meio da Lei 13.208/14, bem como o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, que também prevê ações na área.


A partir desses instrumentos, o governo estadual tem buscado ampliar as chances de empoderamento econômico da população negra. “A Bahia é referência nessa construção em nível nacional, saindo à frente com a criação da comissão gestora da Política de Fomento ao Empreendedorismo de Negros e Mulheres, que articula iniciativas de diversas secretarias”, disse Adilton. “Precisamos ser conhecidos não apenas no futebol ou arte, mas na competência de gestão de empresas e, a partir de ações efetivas, diminuir o racismo e promover a inclusão e promoção da igualdade racial,” concluiu.

Recentemente, a instituição firmou parceria com a Sepromi, que coordena a Política, e a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), para realização de ações voltadas ao fomento de empreendedores negros e de mulheres. Para o representante da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Gilberto Leal, que provocou a discussão desde 2012 junto a outras lideranças da sociedade civil, os organismos de fomento precisam atender às especificidades desse público.

Política de Empreendedorismo

Também nesta quarta-feira (16), a Sepromi recebeu a visita do professor doutor Hélio Santos, para discutir a Política. Na reunião, foram abordadas as dificuldades para que um pequeno e micro empreendedor consiga captar recursos. “Agora é hora de ações afirmativas para os negócios”, disse Hélio, fazendo alusão às políticas públicas que já foram desenvolvidas na Bahia. Segundo ele, o Brasil já aderiu diversas iniciativas que começaram no estado e o “fomento ao empreendedorismo de negros e mulheres deve ser mais uma delas”.
O professor foi recebido pela representante da comissão gestora da Política, Elísia Santos, que falou sobre os avanços e desafios na área. A reunião contou, ainda, com a participação dos coordenadores de Promoção da Igualdade Racial, Sérgio São Bernardo, e do Fórum de Gestores Municipais de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Antônio Cosme, além de integrantes do corpo técnico.

Projeto Afroempreendedor – É uma iniciativa do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) com organizações da sociedade civil, “que busca, por intermédio do investimento na qualificação e organização das pessoas em rede, melhorar as condições de vida do segmento e, consequentemente, de suas famílias e comunidade como todo”, explicou o representante do  Adolpho Bauer. Também participou da reunião o consultor de plano de negócios do projeto, Dilton Machado. 
Fonte: Sepromi-Ba

 
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